Sábado, 9 de Janeiro de 2010

 

Era uma vez uma pedra. Uma pedra que apenas sabia que pedra era. No espaço chamado público porque de todos dizem dizer respeito, não sobressaía em nada de todas as outras que ali se amontoavam sem qualquer ordem estabelecida. E mesmo quando pensava poder ter alguma coisa que a distinguisse das suas outras irmãs, apenas conseguia descobrir a mesma matéria comum, se bem que por vezes, podendo ser envolvida em tonalidades ligeiramente diferentes. É que a luz, muitas vezes tem a capacidade de conseguir algumas ilusões. Apenas ilusões do ilusionista chamado tempo.
 
Era uma vez uma pedra. Nada mais que uma pedra. Que a cada dia se descobria mais pedra, no meio de outras que se iam amontoando ou desamontoando sempre que os homens lá apareciam e, ora as faziam desaparecer, ora as faziam reaparecer.
 
Era um vez uma pedra. Uma pedra simples na simplicidade do espaço por onde os meus passos às vezes se deixam perder nos encontros e desencontros da vida.
 
Também hoje, lá estava. Só ela, apenas ela. As outras tinham partido, segundo parece. Não sei para onde, mas também não é isso que importa, mesmo. Para mim, o importante é que lá estava ela. Só, no espaço que, hoje, me pareceu também apenas meu. E, sem querer, acabei por dar por mim, ali absorto, olhando, se calhar sem ver, aquela pedra, que ali estava, apenas ela, sem as companheiras de outras horas e histórias. E, perdido de mim, ali fui procurando encontrar-me um pouco mais.
 
Quando parti, também ela lá não ficou.
 


publicado por Zé Maria às 00:09 | link do post | comentar

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